O ator Wagner Moura afirmou estar “cansado de ser odiado” e disse querer um diálogo real com pessoas da direita sobre temas que considera relevantes para o país. As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Pedro Bial, exibida no programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, nesta 3ª feira.

A gravação foi em Atenas, na Grécia. O ator realiza uma turnê pela Europa, onde apresenta a peça “Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”.

O ator revelou ter interesse em um debate com representantes da direita, no entanto, teme que momentos como esse acabem se tornando um espaço para ataques pessoais.

“Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre os assuntos que essa peça traz. Acho uma discussão superválida: o Estado tem que ser pequeno ou grande? Quanto o Estado tem que gastar? Isso é fundamental. […] Essa discussão é muito boa, mas ela não acontece.

“É um clichê, mas é verdade: no final, o que importa é o amor. É o afeto, o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas e, se a gente tiver empatia suficiente, os outros, inclusive os que pensam diferente da gente. Eu vou ficando cansado, eu já estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, desabafou.

Durante a entrevista, Wagner Moura também rebateu as críticas que recebe por defender pautas ligadas à justiça social mesmo após construir uma carreira de sucesso.

“O cara diz ‘você prosperou na sua carreira como ator, conseguiu dinheiro para comprar suas coisas’. Quando eu estava em Rodelas [na Bahia], fui pobre, aí eu poderia ser de esquerda. Parece que tem um portal que você passa. Eu queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para você deixar de acreditar em justiça social?”, questionou.

“A direita faz uma pergunta que eu acho justa: quem vai pagar isso aí? São os contribuintes, a gente vai aumentar os impostos? Essa discussão eu acho muito boa, mas não tem, porque o papo dos caras é ‘ele mora nos Estados Unidos, trabalha lá, prosperou na carreira, não pode falar do Brasil’. Ou ‘não é gay e defende gay, não é preto e defende preto’”, concluiu.

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